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Equilíbrio na Cultura dos Excessos

Adriana Braga de Oliveira*

Nos últimos anos, vimos o yoga conquistar o Ocidente. O número de praticantes cresce a cada dia e a mídia está fazendo a prática oriental tornar-se familiar para todos. A primeira “onda” do yoga veio com o movimento hippie, na busca da transcendência e de um estilo alternativo de vida. Atualmente, a “nova onda” do yoga surge num contexto em que o estresse e a sobrecarga definem o cotidiano das grandes cidades e, nesse ambiente conturbado, ele vem preencher a carência da civilização por paz e equilíbrio.

Acredito que um dos motivos que levam a essa carência seja a cultura dos excessos vivida pelo homem moderno: o excesso de consumo; de contas; informação; comida; hedonismo; poluição atmosférica, sonora, auditiva e visual; de pensamentos; de hesitação emocional; excesso de trabalho; excesso de ego. Enfim, a sobrecarga dos exageros que leva ao desequilíbrio.

Fazendo um contraponto a esses hábitos, o yoga, em sua filosofia e prática, nos mostra outra direção: o caminho da equanimidade interna por meio do qual aprendemos a nos relacionar com a vida com mais equilíbrio e discernimento. Trata-se de uma técnica de harmonização que nos permite encontrar o equilíbrio nos altos e baixos da vida. Ele nos ajuda a administrar as emoções para vencermos as inferioridades, os instintos, as compulsões e os automatismos negativos. Nos induz a uma profundidade e clareza de pensamentos que nos trazem sabedoria; mostra o caminho da paz e nos ensina a magia da transcendência.

O yoga busca o olhar da consciência em meio à agitação cotidiana, começando pela investigação do universo de nossos pensamentos. Ao focar a mente, podemos ultrapassar a nuvem escura dos pensamentos confusos e desordenados e alcançar uma atmosfera mental mais clara, onde a luz da sabedoria traz inspiração e uma direção positiva. O excesso de pensamentos deixa a mente confusa e nos distancia de nós mesmos. Portanto, somente quando nos silenciamos é que podemos perceber a existência plena do nosso ser.

A prática busca a abstração dos sentidos em contraponto aos excessos de estímulos sensoriais que sobrecarregam o sistema nervoso e provocam estresse. É o recolhimento em si mesmo para aquietar a agitação provocada pelos apelos e condicionamentos do mundo externo. Com isso, o yoga nos orienta a descobrir o recanto da serenidade no nosso interior e apaziguar nossos ânimos.

Ao praticar yoga você é convidado a sair do “mundinho do ego” e do excesso de narcisismo para encontrar algo mais em sua natureza íntima. Ele nos ensina que, na simplicidade, somos livres, e que podemos estar bem sem precisar de muita coisa, exercitando assim o desapego e o despojamento das coisas inúteis e insignificantes. Somos incentivados também à prática de ações altruístas e da compaixão como meio de vencermos o excesso de individualismo para nos tornarmos seres humanos melhores, em harmonia com valores éticos universais.

Por meio da prática do yoga, a alma pode se sentir viva, mesmo estando na turbulência dessa dimensão da vida material. Pode encontrar, ainda que diante dos excessos da rotina moderna, um pouco de paz, um dia por vez, até que você descubra que a paz faz parte de sua natureza essencial e, sendo assim, inabalável.

 

* Professora do Padmi Núcleo de Yoga e Arte

 

 


 

Consciência e Transformações

Mestre Arnaldo de AlmeidaShivam Yoga Ashram –Rua São José, n. 21  – Centro – e Rua Achiles Gonçalves Coelho, n. 89 – Bairro Nossa Senhora de Lourdes – Ouro Preto – MG – Tel.: (31) 3551-3337 e (31) 8743-1255 – e-mail: shivamyoga@hotmail.com

 

Transformações exigem esforço e disciplina, além de objetividade, clareza de ideias e pensamentos e, principalmente, consciência.

O processo é o de se olhar interiormente. Sentir-se, estar-se consigo: autoconhecer-se. As forças dhármicas agem, integrando, harmonizando, retirando arestas, desenvolvendo sintonias.

Sinfonia se faz com Anahata,  abrindo esse centro de energia para as vibrações melódicas presentes no Cosmo, no Universo.

A mente está sob o controle e aquele que se entrega à Senda se autodomina, se autoentrega em um movimento de energia, força e poder.

Chitta, consciência individual, se expande e interage com todos os níveis de nosso ser. Sthula Shariradesperta sua energia interna, fortalecendo todas as estruturas físicas, que se e tornam livres de bloqueios, tensões, couraças; Linga Sharira se expande em vibrações energéticas harmoniosas para o Universo, integrando-nos com Akasha – a força de consciência presente no Cosmo;  Kama Sharira sereniza e nossa vida emocional se equilibra; Manas e Manas Rupa Sharira relembram situações do passado que se dissolvem em tranquilidade e serenidade mental e, assim, memórias positivas de outras vidas nos instruem a seguir no Sadhana e a força mental se potencializa em frutíferos aprendizados; Budhi Rupa Sharira desperta-se e processos intuitivos propiciam ao buscador uma percepção profunda da vida e do mundo; Purusha se rejubila em sabedoria e consciência espiritual.

O Sadhaka, em contínuas práticas de Yoga Tântrico, se percebe em ondas de energia de tranquilidade, de serenidade e de si jorram vibrações de felicidade e espiritualidade.

Dharana- concentração – Dhyana – meditação – se tornam processos vívidos e vividos e, em sintonia, estão o Dharma pessoal com o Dharma Universal. Aproxima-se o Samadhi (iluminação). As transformações, em direção a uma maior consciência, se cristalizam em harmonia, alegria e felicidade.

 


 

Índia: Potencializando os Sentidos

 

Mestre Arnaldo de AlmeidaShivam Yoga Ashram –Rua São José, n. 21  – Centro – e Rua Achiles Gonçalves Coelho, n. 89 – Bairro Nossa Senhora de Lourdes – Ouro Preto – MG – Tel.: (31) 3551-3337 e (31) 8743-1255 – e-mail: shivamyoga@hotmail.com

 

Estar em um movimento contínuo e constante: em cores, odores, sabores, aromas, perfumes, sons, melodias, música, paisagens, vermelho sol, amarelo deserto, azul gelo … e humanos… muitos … animais…. diversos – Índia.

Os habitantes dão o brilho, ressaltam da paisagem como flores… de lótus. Águas sagradas banham, eternamente, peregrinos, Sadhus, Yogues!

Mantras, rituais: o fogo dissolvendo as dores, a carência e abrindo espaço para a opulência, senão material… espiritual.

A beleza é perene, a energia é intensa e a solidariedade se faz presente, em pequenos atos, em furtivos olhares, encobertos por xales, véus… burcas.

O movimento é de todos e de tudo. Não é o caos que prevalece, mas a harmonia, às vezes em dissonantes acordes.

Em todo visitante fica uma certeza: a felicidade, mesmo que efêmera, se faz existir, em pequenas gotas, em pequenas chuvas, ou em fortes torrentes… o coração se abre e a força espiritual flui… surpreendentemente… de cada planície, lago, rio e, ainda, de cada esquina, aldeia, cidade… e de todas as multidões.

 

(ALMEIDA, Arnaldo de.Ensaio foto-poético: Índia – a doce transformação. Em organização para publicação).

 

 


 

Massagem Mármica

 

Mestre Arnaldo de AlmeidaShivam Yoga Ashram –Rua São José, n. 21  – Centro – e Rua Achiles Gonçalves Coelho, n. 89 – Bairro Nossa Senhora de Lourdes – Ouro Preto – MG – Tel.: (31) 3551-3337 e (31) 8743-1255 – e-mail: shivamyoga@hotmail.com

 

Para o Ayurveda de linhagem tântrica, os processos de somatização constituem-se na base para se desenvolver um trabalho com técnicas do Chikitsahastha ou Chikitsapada, aqui denominadas de Massagem Mármica.

Seguindo as ideias presentes na cultura do Ayurveda, cristaliza-se em nós variada gama de vivências e, quando certas experiências são mal resolvidas, elas podem gerar tensões, bloqueios e, por fim, couraças e toda esses eventos levam ao surgimento de um estado de Daurmanasya (estado de desequilíbrios, dores e doenças).

Desenvolveram-se, a partir dessa escopo de pensamento, variadas e inúmeras técnicas de toque, mais tarde denominadas de massagem. Certamente que esse trabalho foi desenvolvido na antiga civilização hindu e foi-se espalhando pelo mundo oriental (Tailândia, China, Japão e outros) e pelo mundo ocidental (Grécia, Roma).

No mundo hindu, a massagem ayurvêdica de linhagem tântrica, tinha, como foco, o objetivo de impedir que os estados de desequilíbrio e de desarmonia se concretizassem. Ao final de todo esse processo, conseguia-se eliminar, na sua raiz, as doenças, de qualquer natureza.

De acordo com a cultura Ayurvêdica, sabe-se que o Prana – a bioenergia cósmica – vivifica todas as formas e todos os seres e movimenta o Dharma individual e este movimenta o Dharma Universal em um contínuo fluxo cósmico de energia, força, poder e consciência.

Quando se faz um trabalho com sessões de terapia do toque – Massagem Mármica – (Chikitsahastha ou Chikitsapada), a ideia central é de fazer com que as estagnações energéticas sejam extirpadas, para que flua, em todos os Shariras, o Kriya Shakti, despertando em nós vitalidade, saúde e força.

Segundo os Yogues Rishis da Índia Antiga, principalmente aqueles ligados ao Ayurveda tântrico, em Sthula Sharira (corpo físico) formam–se concentrações de Nadis e estas concentrações são sensíveis de serem “perturbadas” por situações de conflitos psicoespirituais mal resolvidos. Tais regiões recebem o nome de Marmas.

Com as técnicas da Massagem Mármica, busca-se ativar essas regiões mármicas, delas retirando os nós energéticos que funcionam como  obstáculos para um fluir natural e intenso do Prana Vayu, a energia que nos traz, não só a vida, mas, principalmente, a nossa consciência, a nossa sabedoria e, mesmo, a nossa espiritualidade.

 

 

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