Professores se reúnem para compartilhar estudos do Yoga

Um grupo de professores e interessados nos estudos do Yoga vem se reunindo desde outubro de 2003. Este grupo se formou a pedido do professor Harbans Lal Arora que ministrou um curso de mudrás em Belo Horizonte. Na ocasião, o professor sugeriu à professora Marta Serretti Barbosa e Denise Queiroga que dessem continuidade aos estudos. O grupo começou com doze pessoas e agora está como cerca de trinta e cinco.

Dos temas já abordados pelo grupo estão: Yoga Sutras de Patânjali, chakras, ásanas, pranayamas, mudrás. Durante um ano, Marta Serretti fez uma introdução ao budismo para receber o Dali Lama que esteve em São Paulo em maio deste ano.

“Cada um dá sua contribuição em alguma área do ensinamento, como uma ajuda para os professores que querem se reciclar. Desta forma, todos aprendem e ensinam”, diz Serretti, que coordena o grupo e dirige os estudos. Neste compartilhar dos ensinamentos, o Yoga é fortalecido e enriquecido, tanto na vivência, quanto no exercício daqueles que ministram a prática.

A troca de informações também se dá através do que Serretti chamou de “Jornal Falado”, onde os participantes dão o seu recado e divulgam as notícias sobre cursos encontros etc…

O grupo está aberto a todas as linhas do Yoga e a todos os professores e simpatizantes interessados. Os encontros acontecem todo primeiro sábado do mês das 9:00 às 11:00 na Oficina da Luz , à rua Rio Grande do Norte 694/501. Os participantes dão uma contribuição de 5,00 para manutenção do Espaço. Confira a agenda dos encontros neste ano na página programação.

Confira a programação do Encontro de Professores

 

O6 de Junho  - Cleusa Silveira – Yoground

                          Marta Serreti – Estudo da obra  “Uma arte de amar para os nossos tempos”  (Jean- Yves Leloup)

Transcrevemos abaixo os trechos da obra que serão estudados no encontro do sábado (06 de junho)

 

NOTA DA TECELÃ

        Uma amiga, Myrthes Mattos, disse-me um dia: é a mulher que costura o mundo. Devo a ela minha dimensão tecelã, minha dimensão costureira que, alguns dias depois  de ouvi-la, me foi revelada em um sonho onde uma grande colcha de retalhos, um trabalho de patchwork, se estendia do céu à terra. Descobri que cada  retalho era um dos meus amigos. Os que tinham morrido estavam mais acima, no começo da colcha. Procurei-me cuidadosamente lá e não me encontrei. Depois, já acordada, intuí  que não podia mesmo me encontrar, pois era eu mesma aquela colcha. Era feita desses amigos que eu costurava em mim. E que, mesmo morando longe, mesmo em outra dimensão, fazem o que eu sou.

        Ontem, dia 13 de junho de 2001, minha amiga Myrthes, retalho infinitamente precioso, mudou de lugar. Do lado em que meu coração bate, passou ao plano donde se origina minha colcha, à mão do Grande Tecelão, que com seus fios de ouro tece, incansavelmente, a morte e a vida de todos nós. Pelas suas sábias palavras tenho tentado, dia após dia, cuidar com consciência e com amor do pedacinho de mundo que me cabe. Teço e costuro, costuro e teço, sabendo que desde a eternidade foi esse o ofício que  me confiaram e que dele vão me pedir contas um dia…

        E foi assim que, para tecer e costurar, em janeiro desse ano chegaram-me às mãos quatro lotes de fitas. Dois lotes estavam gravados com a palestra aberta de Jean-Yves em Salvador e no Rio de Janeiro, versando sobre arte de amar nas diversas tradições e outros dois lotes estavam gravados com seminários realizados por ele nessas mesmas cidades, versando sobre o Cântico dos Cânticos e que sucederam às referidas palestras.

        Não tinha assistido às palestras e seminários. Agora moro em Fortaleza, não é muito fácil deslocar-me. Mas encantei-me e fiquei fascinada com o conteúdo das fitas. Além disso, elas estavam muito bem traduzidas pelo Pierre e pela Martha. Comecei a traduzir as palestras no computador, já começando a organizar parágrafos, pontos, vírgulas, como sempre faço. E vi que, pelo assunto ser o mesmo, tanto os textos das palestras como o dos seminários poderiam ser costurados, da mesma maneira como as crianças fazem  usando “tesoura e cola”. Trabalhei com dois textos simultaneamente, juntando, separando, deletando, organizando. Mas não sozinha. Cada vez que ia fazer esta bagunça pedia a mão do Grande Tecelão emprestada.

        O texto definitivo foi saindo devagarinho, foi saindo encantado. Gostei do que li e me animei no ataque aos seminários. E assim costurando e tecendo, o livro foi tomando forma. O que fiz mesmo foi um trabalho de patchwmork, juntando os retalhos semelhantes, ajustando-os uns aos outros. Porque de tanto trabalhar nos meus retalhos acho que estou ficando boa nisso!

        As perguntas foram colocadas no final, divididas em 3 lotes: a)questões concernentes ao texto; b) questões sobre a vida e o caminho espiritual do autor; c) alguns depoimentos.

        Depois dos sessenta anos poupo-me ser modesta. Acho que fiz um bom trabalho, num respeito comovido e profundo a cada frase, a cada palavra, sem me esquecer por um minuto da minha condição de instrumento, sem me esquecer que  era apenas aquela a quem era pedido juntar os retalhos com um carinho infinito. Assim, o livro tem a face e o coração do Jean-Yves que aprendi a conhecer. E fico feliz por todos aqueles que vão ler e que não tiveram a graça de estar presentes quando de sua passagem por aqui em outubro do ano passado. Sobretudo porque fala  de amor. De amor em todos os credos, do amor em todas as tradições, do amor na sombra e na luz, do amor que como ele próprio diz faz girar o sol, as demais estrelas e o coração do homem. Desse amor do qual São Paulo fala na 1ª Epístola aos Coríntio, capítulo 13, versículos 1 a 8:

        Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos anjos, se não tivesse o amor seria como um bronze que soa ou como um címbalo que tine.

        Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse o amor, eu nada seria.

        Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse meu corpo às chamas, se não tivesse o amor, isso de nada me adiantaria.

        O amor é paciente, o amor é prestativo, não é  invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade.

        O amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

        O amor jamais passará!

Nesse amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo que tudo ilumina, com muita ternura e cuidado, passo às mãos de vocês esta arte de amar para os nossos tempos.

                        Fortaleza, 14 de junho de 2001

                                               Lise Mary Alves de Lima

 

 

UM ESTUDO DO CÂNTICO DOS CÂNTICOS

        Capítulo 1

VERSÍCULO 1

O mais belo cântico de Salomão.

São as primeiras palavras do Cântico dos Cânticos e é como se falássemos do Santo dos Santos. Entramos aqui no texto mais sagrado de todos os textos sagrados.

Salomão em hebraico é Shilomo e contém a palavra Shalom, a paz. É-nos dito que nesse Santo dos Santos, neste Canto dos Cantos, somente Salomão pode entrar.

Salomão é, portanto, o homem da paz, que conheceu a paixão, pacificando e sossegando seu coração através das provações. Sua história é cheia de contradições internas e externas, tendo experimentado inúmeras dificuldades até por fim chegar à paz do seu coração.

O primeiro versículo nos diz que este texto é compreensível àqueles  cujo coração foi provado, algumas vezes estraçalhado, mas que chegaram á pacificação além da dor e do prazer.