KALI

Kali

Kali

Kali, é Parvati transformada na mais terrível deusa do hinduísmo, com uma sede insaciável por sacrifícios sangrentos. Aparece em geral manchada de sangue, vestida de cobras e com um colar de crânios de seus filhos. Representa outro aspecto da nossa Divina Mãe Interior, aquela que destrói poderosamente o Ego nos mundos infernais, quando nós não nos interessamos pelo trabalho consciente da morte do Ego. Se não destruimos o Ego conscientemente, a Natureza Infernal o destruirá violentamente. Isso tudo por amor a nós. Essa destruição se efetua nos infernos atômicos da natureza. Essa é a famosa Segunda Morte, escrita no Apocalipse de São João.
Provavelmente a mais enigmática versão de Shakti para a mente ocidental. Quem não sente horror ao olhar esta figura de rosto vermelho e corpo de um azul profundo, nua e usando um avental de mãos humanas, com uma guirlanda de crânios humanos no pescoço e nas mãos uma cabeça recém decapitada com a arma ainda pingando sangue.
Kali é a personificação da fúria impiedosa e deixa um rastro de destruição por onde passa. É a energia suprema responsável pela dissolução do universo criado. Mas é também uma deusa justa. As escrituras védicas contam que quando os guerreiros vão para a luta costumam invocar o nome de Kali para o sucesso contra os inimigos na batalha. E uma famosa lenda dá conta de um rei santo que foi sequestrado por um bando de ladrões para ser oferecido num sacrifício de sangue num templo da deusa. No entanto, ela surgiu furiosa de dentro de uma de suas estátuas, acompanhada de seus fantasmas e demônios, porque percebeu as enormes virtudes desse rei. Ela então matou o líder dos ladrões e seu bando, provando que protege aqueles que têm boas qualidades. 
O nome Kali vem de kala, que significa tempo. Ela é o poder do tempo – que tudo destrói. Mas Kali também destrói o tempo, assim como o espaço e a causa, arrasando tudo. Porque, como está escrito no Bhagavad Gita, o tempo está se acelerando em proporções enormes e acabará por destruir os mundos.
A nudez e os cabelos desgrenhados da deusa indicam sua independência.
O colar com 50 cabeças humanas decepadas representa as 50 letras do alfabeto sânscrito e seus brincos são corpos de anjos, o que significa que ela está acima da luxúria.
Em uma de suas representações, Kali é vista dançando em cima de Shiva, como uma furiosa guerreira num campo de batalha, matando seus adversários e tomando-lhes o sangue. Dessa forma, demonstra que até o deus supremo pode ser sobrejupado por sua fúria. Seus braços, em compensação, fazem mudras, gestos, que indicam às pessoas para não temer – porque ela é a mais querida e doce mãe.

Fonte: Ayurveda a cultura de bem viver - Márcia de Luca e Lucia Barros