Como conhecer a Deus

Como conhecer a Deus

Deus é um conceito que tem muitas associações e significados para diferentes pessoas. A palavra Deus geralmente se refere a um Ser Supremo, de conhecimento e poder infinitos, imortal em sua natureza, que age como uma fonte de graça e sabedoria. Podemos considerar “conhecer” Deus como um entendimento intelectual. No entanto, o Yoga se refere a esse Ser como uma Consciência que não pode ser definida e está além da capacidade da mente limitada. Apesar das escrituras do yoga não usarem especificamente a palavra Deus, elas descrevem detalhadamente como podemos vivenciar, por nós mesmos, essa Consciência Divina, que é naturalmente a essência , o Espírito, contido em todas as coisas.

Yoga se refere tanto à experiência completa do Eu Espiritual quanto às práticas feitas para revelar essa natureza verdadeira. É, ao mesmo tempo, a ciência do auto-domínio e a arte de alcançar esse objetivo através da auto-disciplina, compaixão e contentamento. Os yoga asanas (posturas psico-físicas), tão amplamente conhecidos no Ocidente, são só uma pequena parte do yoga e foram originalmente desenvolvidos para serem realizados no contexto desse objetivo último, a Realização do Eu ou de Deus. Quando os asanas são realizados sem esse entendimento, os benefícios são significantes, mas sem os potenciais efeitos de transformação no qual foram originados.

Yoga é mais que uma prática. É uma forma de viver que inclui inúmeros caminhos, cada um como uma trilha que leva a um só topo da montanha. Esses diferentes caminhos curam e desenvolvem variados aspectos do indivíduo: social, físico, energético, emocional e intelectual. Os parágrafos a seguir apresentam uma breve descrição desses seis caminhos mais importantes do yoga e como cada um deles culmina na mesma experiência final.

O caminho do Raja Yoga poderia ser chamado de caminho da perfeição mental e é apresentado nos Yoga Sutras de Patanjali, uma das principais escrituras que delineiam Yoga e seus ensinamentos. Os Sutras definem Yoga como uma experiência que ocorre quando os movimentos da mente são controlados e, para isso, descrevem oito partes ou passos.

Os Sutras também apresentam as práticas de asanas, pranayama (técnicas respiratórias) e meditação, que podem ser consideradas como o caminho do Hatha Yoga. Essa abordagem usa o nível grosseiro, físico do Ser, para gradualmente purificar e trazer sob controle os níveis mais sutis. Como objetivo final, o Hatha Yoga ativa a energia da superconsciência , ou kundalini, uma experiência sinônima à Realização.

Além disso, os Sutras descrevem o uso das vibrações sonoras como uma forma de auto-domínio, o que pode ser visto como um dos caminhos, chamado de Nada, ou Japa Yoga. Essa pratica utiliza “fórmulas” sonoras denominadas mantras, que representam diferentes aspectos ou qualidades do Eu Espiritual. Através de entoação e repetição de mantras, o indivíduo pode alinhar todo o sistema mente-corpo com a vibração divina do Espirito, e então entrar em harmonia.

Essa mesma harmonia com o Espirito é alcançada por outro ramo do yoga chamado Karma Yoga, o Yoga da ação através do serviço desinteressado. Esse caminho é descrito em detalhes no Bhagavad Gita, outra das principais escrituras que expõem o Yoga. Karma Yoga envolve cumprir tarefas com a mente focada e com intenção de amor, sem apego ao resultado ou reconhecimento pessoal. Quando o coração e a mente são treinados para agir pelo bem-estar de todos, o praticante se torna um instrumento da vontade Divina, transcendendo sua individualidade.

O Bhagavad Gita também propõe o caminho do amor e devoção a Deus em alguma forma, o que é chamado de Bhakti Yoga. Muitas pessoas são naturalmente inspiradas a verem a Consciência Divina em um professor espiritual, uma deidade, símbolos ou na magnificência da Mãe Natureza. Através da fe, da lembrança constante e da devoção à representação, o indivíduo pode ir além da ilusão do Eu separado e experimentar assim a união com o Espirito que habita dentro de tudo, inclusive em nós mesmos.

Ainda outro ramo do Yoga promulgado pelo Bhagavad Gita é o Jnana Yoga, o caminho da sabedoria. Este método requer auto-análise e um intelecto afiado para praticar a discriminação correta, sistemática, entre o Espirito imutável e as formas da criação em constante mudança. Ao se identificar cada vez menos com o próprio corpo, mente e ego, o indivíduo então experimenta o Eu Espiritual que está normalmente escondido atrás dos aspectos mais grosseiros do Ser.

Apesar do Yoga ter emergido na India antiga como uma das seis escolas de filosofia Hindu, todos esses caminhos, ensinamentos e práticas continuam sendo ferramentas atemporais para a transformação pessoal. Enquanto um pode ser naturalmente propenso a seguir uma forma particular de prática ou um dos ramos mencionados aqui, existem muitos benefícios de se praticar todos eles, atingindo assim todos os níveis da nossa natureza humana. No entanto, mesmo sem essa abordagem, qualquer um deles pode trazer o praticante ao objetivo final de libertação – uma experiência que é geralmente chamada de Deus.

 

Prakash

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